segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

"Turn Around Yourself"

Brincadeira de Internet "traduzindo" os nomes dos bairros do Rio
Não. Este blogueiro não ficou doido. É óbvio que que esta expressão está errada, não se tratando da tradução do nosso "se vira". Mas eu não duvidaria se me dissessem que ela já foi empregada em nossa cidade para algum estrangeiro recém-chegado à terras cariocas.

Morando próximo a hotéis e hostels, indo a locais públicos como estádios de futebol e shows musicais, ou mesmo usando o metrô não é incomum nos encontrarmos com visitantes conhecendo nossa cidade. Vencida a barreira do primeiro contato (pois muitos fogem de qualquer conversa não-autorizada ou não-necessária), possivelmente encontrará o espanto do turista com o simples fato de que sabe falar em seu idioma. Mas por que isso?

A explicação é bem ilustrada por uma situação que vi, mais uma vez, em uma lanchonete perto de minha casa. Um hóspede de um dos hostels próximos gastou longos minutos até conseguir pedir um simples prato com frango, fritas e salada. Como o estabelecimento não estava cheio e o cliente era esteticamente palatável aos olhos das atendentes, não fez muita diferença. Mas um dia cheio é sinônimo de transtornos para o bar e mais ainda para o cliente. 

Eu já conversei com o gerente, mais de uma vez até, sobre a necessidade de um cardápio em inglês, para facilitar o atendimento, em local visível e de fácil acesso. Talvez pelo sentimento de que um bar como aquele, que trabalha 24h ao dia, em situado em local estratégico não precisa de muita coisa para manter sua margem de lucro, é que até existe uma cardápio nestes moldes, mas que fica guardado ao lado do microondas, do outro lado do balcão, longe das mãos e dos olhos de qualquer turista com olhos de raio-x ou mesmo com poderes mediúnicos que tenha interesse em usá-lo. Enquanto isso, quase uma dezena de versões apenas em português ocupam o balcão, além de toda comunicação visual.
Andar de Ônibus pode ser um desafio...

Tenho como certo que muito deste estado de coisas há de ser corrigido com a chegada da Copa do Mundo e com os Jogos Olímpicos. Ao menos no metrô - e mesmo assim no básico - e nas arenas esportivas. Mas sabemos que não é suficiente. Não podemos contar apenas com a "bolha protetora" da FIFA ou do COI para orientar quem não fala o português: a grande maioria do planeta.

Em recente ida à Argentina, não raro encontrava estabelecimentos com cardápio trilíngue. E muitos prestadores de serviço neste mesmo perfil. É certo que a proximidade geográfica e de idioma entre os dois países facilita muito as coisas, mas o ponto é que se verifica uma maior atenção em atender as demandas dos cidadãos e dos visitantes, especialmente se considerar que é uma cidade com número de bares e cafés acima da média. Estimulada a concorrência, os estabelecimentos ainda oferecem outras funcionalidades como, por exemplo, wi-fi gratuito (ainda raridade no Brasil). Aqueles que já se atualizaram conseguem se destacar e captar mais clientes.

E esta constatação não fica restrita aos restaurantes. Táxis, ônibus coletivos, supermercados, placas de orientação e até, pasmem, recepcionistas de hotéis e pousadas podem ser desafios nada interessantes para quem domina o idioma de Camões. Em outras cidades, exige-se capacitação específica para atender visitantes, e aqui?
Capacitação universal como utopia

Por evidente, a conclusão que se tira de todos estes fatos é que a cidade como um todo, setores públicos e, principalmente, o privado (com ênfase nos pequenos comerciantes), assim como a população de forma geral, vem perdendo a oportunidade destes grandes eventos para se qualificar e potencializar seus lucros através de estratégias mais avançadas do que a simples e oportunista majoração de preços.

Cumpre a nós pensamos que tipo de ajuda nos iríamos gostar em nossas viagens a outro país, e depois, ver se já oferecemos isto a quem nos visita. Tal como em nossas casas, ser anfitrião é uma tarefa que dá trabalho e exige nossa dedicação.

A nossa linda Árvore de Natal da Lagoa
Depois de termos alguns pequenos ensaios, como os Jogos Mundiais Militares, 2013 nos reserva alguns verdadeiros desafios como a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude Católica. Espero que estes eventos acordem a cidade de vez para o fato que a preparação não se restringe a obras encampadas às pressas e a margem do que é legal e moral pelo Poder Público, e que a transformação começa de cada um de nós.

Em tempo, eu desejo um feliz natal a todos os cariocas e demais pessoas que me dão a honra da visita neste blog, concordando ou não com minhas opiniões. Espero contar com vocês em 2013!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Os Predadores Amarelos das Ruas do Rio Aguardam o Dia da Caça

Viagem, fim de ano, início de recesso forense e tempo de sobra para postagens. Muitas ideias na cabeça. Muitos posts e reflexões a caminho. 

Tempos atrás, eu já contei como pode ser uma aventura pegar um táxi no Rio de Janeiro, seja pela surpresa do preço a pagar, seja pela sensação de estar em um brinquedo da Disney. Em um nicho de prestação de serviços com tanta regulamentação do Poder Público Municipal, causa espécie como existe tanta bandalha em nossa cidade. As ruas estão tomadas por táxis piratas, passageiros de portos e aeroportos são reféns de máfias amarelas que cobram o querem, do jeito que querem. Grandes espetáculos se apresentam como perfeitas oportunidades para os motoristas que querem turbinar seu orçamento mensal às custas de desavisados e pessoas desesperadas para chegar à casa.

Recentemente estive em Buenos Aires (que aliás me deu uma outra percepção de cidade) e fiz uso dos táxis. Devidamente munido das várias recomendações que se faz sobre os motoristas locais (como por exemplo as feitas pelo blog do Ricardo Freire, ou ainda aqui), achei o serviço bem prestado. Em momento algum me senti enganado, ou fui constrangido pelo pracista. É bem verdade que a grande maioria dos profissionais não faz muita questão de falar o português, mas ante a proximidade com o idioma espanhol, as dificuldades são superadas com alguma facilidade.

Importante ressaltar que os táxis da cidade argentina são mais preparados para atender ao turista. Atrás do banco do motorista há cartaz com os dados do veículo, além das regras de cobrança e cálculo do valor da corrida, em 3 idiomas, sem contar com a já conhecida identificação do condutor sobre o painel. Bem diverso do Rio, onde trocas de tarifas implicam em viaturas correndo pela cidade com tabelas afixadas nas janelas, com os preços reais a serem cobrados a partir do que mostra o taxímetro.

Em que pese ser um problema que aflige a maioria dos prestadores de serviço da cidade, a maioria da frota não está preparada para atender bem ao turista no que se refere ao idioma e ao próprio conhecimento sobre a cidade. E não me refiro aos endereços, mas quanto aos locais importantes do Rio e sua importância, seja histórica, seja para o dia-a-dia da população.

Resolvi falar sobre táxis novamente em função da chegada dos transatlânticos e ainda de algumas notícias sobre o assunto divulgadas na imprensa. Não sei se já dá para se animar com a maior repressão aos táxis piratas, mas ao menos se vê algo sendo feito nos pontos mais óbvios. Quem passa pela Av. Rodrigues Alves, em frente ao Terminal de Passageiros esta semana viu todo um aparato da fiscalização, verificando os carros que ali passavam. Operação semelhante, ocorreu no Aeroporto Santos Dumont conduzida pela Prefeitura. A promessa é que estas operações tornar-se-ão presentes durante a alta estação. Mas sem dúvida deveria ser estendida a outros pontos como a Lapa, o Baixo Gávea e a Copacabana, e com atuação por todo o ano, tal como temos com a Blitz da Operação Lei Seca.

E justamente dentro daquele conceito de pertencimento que já abordei neste blog, não podemos depositar toda a missão de fiscalizar no colo do Município, e devemos fazer nossa parte denunciando os maus profissionais, ou mesmo, apontando a bandalha, já que sabemos que este esforço do Rio é bem aquém do necessário, tanto que hoje mesmo tivemos uma turista colombiana ferida ao esperar seu troco de R$4,00 em uma corrida vinda do mesmo aeroporto para a Glória, e cuja identificação do veículo envolvido apenas se deu com a participação daqueles que testemunharam o episódio.

 Há muito a fazer  e a evoluir, mas ao menos, surge no horizonte que vamos tomando o caminho certo.