Viagem, fim de ano, início de recesso forense e tempo de sobra para postagens. Muitas ideias na cabeça. Muitos posts e reflexões a caminho.
Tempos atrás, eu já contei como pode ser uma aventura pegar um táxi no Rio de Janeiro, seja pela surpresa do preço a pagar, seja pela sensação de estar em um brinquedo da Disney. Em um nicho de prestação de serviços com tanta regulamentação do Poder Público Municipal, causa espécie como existe tanta bandalha em nossa cidade. As ruas estão tomadas por táxis piratas, passageiros de portos e aeroportos são reféns de máfias amarelas que cobram o querem, do jeito que querem. Grandes espetáculos se apresentam como perfeitas oportunidades para os motoristas que querem turbinar seu orçamento mensal às custas de desavisados e pessoas desesperadas para chegar à casa.
Recentemente estive em Buenos Aires (que aliás me deu uma outra percepção de cidade) e fiz uso dos táxis. Devidamente munido das várias recomendações que se faz sobre os motoristas locais (como por exemplo as feitas pelo blog do Ricardo Freire, ou ainda aqui), achei o serviço bem prestado. Em momento algum me senti enganado, ou fui constrangido pelo pracista. É bem verdade que a grande maioria dos profissionais não faz muita questão de falar o português, mas ante a proximidade com o idioma espanhol, as dificuldades são superadas com alguma facilidade.
Importante ressaltar que os táxis da cidade argentina são mais preparados para atender ao turista. Atrás do banco do motorista há cartaz com os dados do veículo, além das regras de cobrança e cálculo do valor da corrida, em 3 idiomas, sem contar com a já conhecida identificação do condutor sobre o painel. Bem diverso do Rio, onde trocas de tarifas implicam em viaturas correndo pela cidade com tabelas afixadas nas janelas, com os preços reais a serem cobrados a partir do que mostra o taxímetro.
Em que pese ser um problema que aflige a maioria dos prestadores de serviço da cidade, a maioria da frota não está preparada para atender bem ao turista no que se refere ao idioma e ao próprio conhecimento sobre a cidade. E não me refiro aos endereços, mas quanto aos locais importantes do Rio e sua importância, seja histórica, seja para o dia-a-dia da população.
Resolvi falar sobre táxis novamente em função da chegada dos transatlânticos e ainda de algumas notícias sobre o assunto divulgadas na imprensa. Não sei se já dá para se animar com a maior repressão aos táxis piratas, mas ao menos se vê algo sendo feito nos pontos mais óbvios. Quem passa pela Av. Rodrigues Alves, em frente ao Terminal de Passageiros esta semana viu todo um aparato da fiscalização, verificando os carros que ali passavam. Operação semelhante, ocorreu no Aeroporto Santos Dumont conduzida pela Prefeitura. A promessa é que estas operações tornar-se-ão presentes durante a alta estação. Mas sem dúvida deveria ser estendida a outros pontos como a Lapa, o Baixo Gávea e a Copacabana, e com atuação por todo o ano, tal como temos com a Blitz da Operação Lei Seca.
E justamente dentro daquele conceito de pertencimento que já abordei neste blog, não podemos depositar toda a missão de fiscalizar no colo do Município, e devemos fazer nossa parte denunciando os maus profissionais, ou mesmo, apontando a bandalha, já que sabemos que este esforço do Rio é bem aquém do necessário, tanto que hoje mesmo tivemos uma turista colombiana ferida ao esperar seu troco de R$4,00 em uma corrida vinda do mesmo aeroporto para a Glória, e cuja identificação do veículo envolvido apenas se deu com a participação daqueles que testemunharam o episódio.
Há muito a fazer e a evoluir, mas ao menos, surge no horizonte que vamos tomando o caminho certo.
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