segunda-feira, 12 de março de 2012

Quando a mobilidade nos algemou a uma bicicleta

Era domingo a tarde, estávamos em Copacabana e resolvemos fazer um passeio de bicicleta em família. Marcos, minha cunhada e eu retiramos as laranjinhas do Itaú precisamente as 17:57h em frente ao Copacabana Palace. Nosso destino era a estação Ferreira Viana, onde chegamos depois de mais ou menos 40 minutos e uma parada para fotos em frente à belíssima Enseada de Botafogo.


Até então tudo trivial, feito novela de Manoel Carlos. O que nós não esperávamos era que, ao chegar à estação de destino, não teríamos lugares vagos para devolver as bikes. Enquanto minha cunhada tentava entrar em contato com a central, mais usuários do Mobilicidade chegavam com o mesmo objetivo que nós. Alguns já haviam passado por duas ou três estações, também lotadas, antes de chegar até ali. Depois de muitas chamadas que caíram na caixa postal (o que estranho já que é um telefone fixo) e de pelo menos cinco minutos ouvindo uma daquelas musiquinhas sempre irritantes de espera, registramos a ocorrência. Fomos avisados que um caminhão de recolhimento estava à caminho, o que demoraria cerca de 10 minutos. Enquanto aguardávamos e mais pessoas se juntavam ao grupo, alguém sugeriu que ficássemos no bar em frente, uma vez que havia começado a chover e o FlaFlu estava passando na tv. Era óbvio que ninguém estava satisfeito de ter de ficar ali preso, esperando para devolver a bicicleta, mas carioca que se preze sempre faz do limão uma limonada. Depois de uma hora o caminhão, que deveria demorar somente 10 minutos, ainda não havia chegado. As 19:40h, quando já se agrupavam 11 bicicletas em torno do poste em frente ao bar, avistamos uma van e um rapaz vestido com as cores do projeto. Insatisfeitos com a espera e com o fato de que todas aquelas bikes não caberiam numa van, fomos conversar com o funcionário. Para nossa surpresa, ele não havia sido encaminhado pra lá, mas estava passando por ali depois de ter terminado seu expediente e resolveu parar para nos ajudar. Entrou em contato com a central, conseguindo liberar todas as posições que precisávamos, e ali ficou com as bicicletas excedentes esperando pelo caminhão de recolhimento, que só chegou as 20:30h.




Acho a ideia do Mobilicidade fantástica, o que me fez ser usuária assim que soube da existência do serviço. Por este mesmo motivo e como cidadã carioca tenho o dever contribuir para sua melhoria. Pelo que tenho observado, todos os dias começam com bicicletas ocupando todas as posições de cada uma das quase 60 estações localizadas na Zona Sul do Rio. Cada cliente pode retirar e devolver onde quiser, mediante disponibilidade de bicicleta ou posição livre. Durante o dia, devido à grande rotatividade, tudo acaba dando mais ou menos certo e, quando se tem de esperar é por pouco tempo. Já a noite, quando são devolvidas mais bicicletas do que retiradas, as estações mais procuradas para devolução lotam rapidamente. Não sei se os organizadores já diagnosticaram um padrão e, diante dele, estão trabalhando numa melhor solução do que enviar todos os dias os veículos de recolhimento. Entretanto, diante do que se apresentou neste domingo, a solução me parece mais objetiva e simples: no início do dia o número de posições em cada estação deve ser maior do que o de bicicletas. Além disso, o número reduzido de estações em bairros como Flamengo, Catete e Laranjeiras faz com que a distância entre elas desencoraje os usuários a procurar por uma outra para a devolução. Assim, a inauguração de novas estações nestes bairros também contribuirá para a solução do problema.

Nenhum comentário:

Postar um comentário