terça-feira, 16 de outubro de 2012

A Copa do Mundo é... digo, a CIDADE é nossa!

     Esse blog, nascido no início do ano, deu uma pausa nas suas atividades, voltando poucos dias antes do 1º turno. Para aqueles que me conhecem, sabem que militei pelo candidato Marcelo Freixo, em grande parte pelo questionamento que há muito tempo faço a cada projeto apresentado pelo Poder Público: Que cidade nós queremos para nós?

     Não é minha intenção transformar o Pra Falar do Rio em uma trincheira ideológica contra o Prefeito recém-reeleito ou quem quer que seja. Se foi pela via democrática que candidato e projetos foram escolhidos como os mais adequados para os nossos próximos quatro anos, não é de outra forma que é dever do cidadão analisar e propor outros caminhos e soluções, sem deixar de bater palmas quando entender conveniente.

     Mas para que essas palavras não morram no mar de desabafos em que se transformou a internet, entendo ser preciso começarmos discutindo um sentimento: o pertencimento.

     Não sou sociólogo, ou conhecedor das ciências sociais. Não vou fazer uma resenha de algum livro que discuta a relação entre o público e o privado como é "O Jardim e a Praça", de Nelson Saldanha. Estou falando da vibração que vem das ruas, com o comportamento das pessoas diante do mundo que se constrói ao seu redor.

     Umas das pautas desta semana que passou foi sobre a lúdica prática do "altinho" na Praia de Ipanema. Sem entrar no mérito da atuação desastrosa da Guarda Municipal, incapaz que aplicar o código de posturas da cidade, vem o comportamento inicial dos banhistas não se limitando à prática do jogo em si, mas passando ao ponto de desafiar a autoridade.

Quantos guardam o lixo na bolsa até achar uma lixeira?
     "A praia é local público". Quantas vezes ouvimos esta expressão? E não apenas na praia. Agora reflita, quantas vezes esta frase foi dita na sua frente para justificar uma norma ou regra de convivência e quantas vezes ela foi usada justamente com a finalidade oposta? E mesmo assim, muitas das vezes a primeira aplicação não acontece por outra razão que não o interesse de quem a está defendendo.

     Não é outra a justificativa dada por donos de cães que andam pela areia, jogadores de frescobol, etc... Particularmente não acho o "altinho" tão perigoso assim para aqueles que caminham junto ao espelho d'água.  Só que não é essa a posição "oficial" da sociedade. E se o local é público, valem as regras da maioria.

  Existe uma analogia muito boba, ensinada pelas nossas mães, quando tomava conta do nosso comportamento em casa, pois afinal "começa em casa, e acaba fazendo na rua". Quando crescemos, "evoluímos" esse conceito para "tem coisas que fazemos na rua, mas não fazemos em casa".

     Isso sem falar no clássico, "não faça com o coleguinha o que não quer que ele faça contigo".

     Será que se tivéssemos na rua o mesmo cuidado e asseio que temos em casa, veríamos as ruas tão sujas, com todo o tipo de papel ou embalagem jogados no chão? Não é possível acreditar em banheiros químicos limpos, ao invés dos em estado de semi-interdição típico das grandes festas? É tão difícil sonhar com um trânsito os cruzamentos não estarão bloqueados por falsos espertos?

Atire a primeira pedra quem nunca fechou um cruzamento?
     Mas nem tudo está perdido. Já há cariocas com esta consciência.  Organizados como no movimento "Rio Eu Amo Eu Cuido" ou em ações isoladas de cidadãos no dia-a-dia. Não importa, fazendo a nossa parte, já fazemos muito.

     Não adianta falarmos em militância política. Ou em engajamento de causas sociais. Em primeiro lugar temos que mostrar, por meio de ações, que fazemos questão de cuidar do nosso cantinho, e que carinhosamente chamamos de "nossa cidade". Nós moramos nela. Nós somos ela. É natural queremos saber o que acontece nela e participar para que as coisas sejam do jeito que achamos que deve ser.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Fiscalizar, mas só até a página 2...

O manto negro aos poucos vai cobrindo tudo. A floresta cheia de ruídos e mistérios já estaria tomada inteira pelo breu não fosse a parca luz de uma fogueira que teimava em não se apagar. A cada crepitada da lenha quase em brasas, o acampamento vivia velozes segundos de alívio, logo substituídos por intermináveis minutos de apreensão. Afinal, eles estavam lá a sua volta. Muitos deles. Olhos brilhantes. Guardando o perímetro. Esperando a oportunidade que havia por vir.

Não, senhores, não pretendo contar uma historinha de aventuras. Esse blog é sobre o Rio de Janeiro. Mas a descrição acima, com adaptações pode ser usada na nossa cidade quando ao assunto é Táxi. Antes de mais nada, quero deixar claro que não se trata de preconceito ou esteriótipo. Em qualquer atividade profissional há pessoas sérias e há picaretas. Mas alguns ofícios tem lugar no coração das pessoas, outras não. Afinal quantas vezes já não ouvimos que "todo advogado é safado"? O mesmo se aplica aos taxistas.

Evidentemente que na frota de milhares de táxis do Rio de Janeiro temos muitos pracistas sérios, bem educados, bem informados e que honram a profissão. E o que eles fazem não é notícia. Os picaretas sim, são alvo das histórias e que passam compor este post e alguns outros que poderão vir.

Aliás, a capacidade de separar o joio do trigo é qualidade que a Prefeitura não tem. Quando o Poder Público fala em fiscalização, ele está pensando em arrecadação, mas nunca em qualidade.

Pense no seu carro, e no trabalho que ele te dá no início do ano com IPVA e vistoria anual. Para o pracista esses inconvenientes são exponencialmente maiores. Há vistoria de taxímetro, do tanque de gás natural, do próprio veículo, etc...

E isso sem uma estrutura própria e adequada para que eles não percam um dia inteiro de trabalho. Basta imaginar que a vistoria da SMTR é em Jacarepaguá, mas basta cair em exigência que o taxista tem que vir ao Centro do Rio e voltar para refazer a vistoria!

As blitz à luz do dia para caçar e arrecadar acontecem. Mas quando cai a noite, a praça fica sem lei. Na Lapa, ou nos blocos de carnaval, ou em qualquer outro grande evento esportivo. Ali NÃO TEM FISCALIZAÇÃO. Taxistas credenciados desonestos, e mais ainda, taxistas piratas ali fazem a festa.

Quem frequenta a Lapa já conhece o script: começa pelo assédio dos "chamadores de táxi", que "conseguem o cliente" para o pracista, e passa pelo momento em que este decide se você, passageiro, cliente, contribuinte, serve ou não serve para ele. Se a viagem é longa, que ótimo! Você chegará em casa (em tese) sem problemas. Agora, se você mora perto da Lapa, problema é seu, afinal ele não ficou na fila pra uma corridinha até a Glória ou Botafogo.

Sem contar com as vezes que o passageiro até consegue a corrida, mas é obrigado a embarcar num carro que transforma uma viagem tranquila em uma tentativa de tele-transporte, dada a velocidade e bandalhas que ele faz. Reclamando, obviamente.

E você que comprou a ideia da Lei Seca, e resolveu deixar o carro em casa para poder beber, fica a ver navios. É dispensado, descartado, e transforma seu fim de noite em tormento. Várias foram as vezes que anotei a placa do veículo e liguei para a SMTR. Mais da metade fui informado que o táxi era pirata, e por isso não poderiam fazer nada.

COMO ASSIM NÃO PODEM FAZER NADA???

Fiscalizem oras! Coloquem uma blitz, como outras tantas, neste locais estratégicos. Façam a abordagem nos táxis que ali estão. Tenho certeza que aqueles que estiverem em dia irão reclamar do incômodo da "dura", mas vão agradecer a diminuição da concorrência de quem não fez por onde para isso.

Caso tenham histórias de viagens de táxi, não deixe de compartilhar conosco nos comentários abaixo.

ATUALIZAÇÃO (26/12/2012)

O programa de humor PORTA DOS FUNDOS, que costuma postar seus vídeos no site Kibe Loco fez uma brincadeira com o que foi retratado neste post. Se na vida real, a pressa do pracista se resume em investigar qual o destino da corrida, o questionário do personagem ganha fácil de qualquer censo do IBGE. Vale a pena dar uma olhada!


Redefinindo o Conceito de Espetáculo

Cenário 1: Rostos apreensivos. Mulheres gritando. Crianças chorando. Homens coçando os olhos em chamas graças a bombas de spray de pimenta. Correria. Caos. 

Cenário 2: Rostos descontraídos. As crianças eufóricas com o que acabaram de presenciar. Os pais discutindo acerca de onde vão comer aquela pizza que tinham combinado.


Qual destes cenários combina com uma saída de espetáculo? Se você respondeu a segunda opção, pode até estar certo, mas certamente nunca foi a um jogo de grande porte no Engenhão.

É impressionante como os personagens envolvidos na organização de um "espetáculo" como deveria ser uma partida do Campeonato Brasileiro de Futebol não planejam. Ou pior, não se movem diante dos erros já diagnosticados e o caos já instalado.

De que adiantam times na briga pelo título, ingressos a preços promocionais, ações diversas de marketing se aquela família ali em cima não pode ir ao estádio sem a certeza de que será mal tratada por aqueles que deveriam lhe servir?

E não pense que é apenas na hora da saída! Incompetência para formar uma fila para entrar no estádio. Vistas grossas ao trabalho livre dos cambistas. Falta de água nos banheiros. Rampas de acesso cheias de poças d'água produzidas pelos próprios ambulantes autorizados que resolvem escoar ali, logo ali, o gelo derretido dos seus isopores.

Como podemos ter um estádio "moderno" como o Engenhão, com suas várias rampas, elevadores, capacidade reduzida, etc como manda o figurino das novas arenas se o acesso ao principal meio de transporte é feito por UMA ÚNICA RAMPA, que é compartilhada com aqueles que só querem ir para o outro lado da via férrea.

Após ser devidamente imprensado e esmagado o usuário chega até a roleta. E daí? O modelo usado APENAS neste estação é bem mais lenta que os outros modelos da rede. E sendo apenas 4 roletas, o resultado é óbvio. Filas que não andam. Pessoas que não conseguem entrar.

E aí entra o último componente, o despreparo dos agentes de segurança. Para que se preparar, estudar para melhor organizar o evento se você tem o cassetete e o spray de pimenta à mão? E não me venham falar em discriminação: homens, mulheres e crianças de todas as idades tem a chance de sentir seus olhos ardendo, junto com a paixão pelo futebol que arde em seu coração.

Paixão essa que é testada a cada ida ao estádio, em conjunto com a paciência, necessária para aguentar o chá de cadeira que a Supervia dá aos passageiros para que as composições saiam.

Não sou engenheiro de transporte. Não sou técnico da área de organização de eventos. Mas sou torcedor. Sou aquele que deveria sair satisfeito do estádio. Aquele que deveria ver que as coisas estão melhorando.

Por que não abrir mais roletas como as que estão estrategicamente posicionadas em frente ao estádio? Mesmo que limitassem ela apenas aos passageiros do ramal Japeri ou Saracuruna!

Por que não construir outra rampa e roletas do outro lado da estação, ajudando inclusive nos clássicos, onde cada uma das entradas poderia atender uma das grandes torcidas.

Por que não criar outra maneira das pessoas atravessarem a linha férrea sem terem que usar a mesma rampa que todos os milhares que vão pegar o trem?

Por que o cidadão não pode ter o mesmo conforto e informação que ele tem acesso quando vai ao teatro ou ao cinema ou a algum show de música?

Muitas perguntas, nenhuma ação e uma certeza: a que o torcedor não é levado a sério.