Cenário 1: Rostos apreensivos. Mulheres gritando. Crianças chorando. Homens coçando os olhos em chamas graças a bombas de spray de pimenta. Correria. Caos.
Cenário 2: Rostos descontraídos. As crianças eufóricas com o que acabaram de presenciar. Os pais discutindo acerca de onde vão comer aquela pizza que tinham combinado.
Qual destes cenários combina com uma saída de espetáculo? Se você respondeu a segunda opção, pode até estar certo, mas certamente nunca foi a um jogo de grande porte no Engenhão.
É impressionante como os personagens envolvidos na organização de um "espetáculo" como deveria ser uma partida do Campeonato Brasileiro de Futebol não planejam. Ou pior, não se movem diante dos erros já diagnosticados e o caos já instalado.
De que adiantam times na briga pelo título, ingressos a preços promocionais, ações diversas de marketing se aquela família ali em cima não pode ir ao estádio sem a certeza de que será mal tratada por aqueles que deveriam lhe servir?
E não pense que é apenas na hora da saída! Incompetência para formar uma fila para entrar no estádio. Vistas grossas ao trabalho livre dos cambistas. Falta de água nos banheiros. Rampas de acesso cheias de poças d'água produzidas pelos próprios ambulantes autorizados que resolvem escoar ali, logo ali, o gelo derretido dos seus isopores.
Como podemos ter um estádio "moderno" como o Engenhão, com suas várias rampas, elevadores, capacidade reduzida, etc como manda o figurino das novas arenas se o acesso ao principal meio de transporte é feito por UMA ÚNICA RAMPA, que é compartilhada com aqueles que só querem ir para o outro lado da via férrea.
Após ser devidamente imprensado e esmagado o usuário chega até a roleta. E daí? O modelo usado APENAS neste estação é bem mais lenta que os outros modelos da rede. E sendo apenas 4 roletas, o resultado é óbvio. Filas que não andam. Pessoas que não conseguem entrar.
E aí entra o último componente, o despreparo dos agentes de segurança. Para que se preparar, estudar para melhor organizar o evento se você tem o cassetete e o spray de pimenta à mão? E não me venham falar em discriminação: homens, mulheres e crianças de todas as idades tem a chance de sentir seus olhos ardendo, junto com a paixão pelo futebol que arde em seu coração.
Paixão essa que é testada a cada ida ao estádio, em conjunto com a paciência, necessária para aguentar o chá de cadeira que a Supervia dá aos passageiros para que as composições saiam.
Não sou engenheiro de transporte. Não sou técnico da área de organização de eventos. Mas sou torcedor. Sou aquele que deveria sair satisfeito do estádio. Aquele que deveria ver que as coisas estão melhorando.
Por que não abrir mais roletas como as que estão estrategicamente posicionadas em frente ao estádio? Mesmo que limitassem ela apenas aos passageiros do ramal Japeri ou Saracuruna!
Por que não construir outra rampa e roletas do outro lado da estação, ajudando inclusive nos clássicos, onde cada uma das entradas poderia atender uma das grandes torcidas.
Por que não criar outra maneira das pessoas atravessarem a linha férrea sem terem que usar a mesma rampa que todos os milhares que vão pegar o trem?
Por que o cidadão não pode ter o mesmo conforto e informação que ele tem acesso quando vai ao teatro ou ao cinema ou a algum show de música?
Muitas perguntas, nenhuma ação e uma certeza: a que o torcedor não é levado a sério.
Marquinho, a questão é que tem MUITA gente levando grana nesse papo de ingressos de futebol e na consequente organização do espetáculo. Ninguém está nem ai pro público. Tiram o seu (inclusive os clubes) e foda-se o resto. Isso vai melhorar na Copa, pra não fazerem feio, mas depois volta a piorar.
ResponderExcluirOlha que nem toquei no assunto INGRESSOS. Mas sobre como a organização dos eventos, e como eles poderiam ser ligeiramente melhores com pequenas coisas.
ResponderExcluirNós temos um Batalhão Especializado em Policiamento em Estádios, mas que parece que totalmente amador e despreparado.
Mas só vamos conseguir algo quando efetivamente cobrar a quem de direito.