sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Fiscalizar, mas só até a página 2...

O manto negro aos poucos vai cobrindo tudo. A floresta cheia de ruídos e mistérios já estaria tomada inteira pelo breu não fosse a parca luz de uma fogueira que teimava em não se apagar. A cada crepitada da lenha quase em brasas, o acampamento vivia velozes segundos de alívio, logo substituídos por intermináveis minutos de apreensão. Afinal, eles estavam lá a sua volta. Muitos deles. Olhos brilhantes. Guardando o perímetro. Esperando a oportunidade que havia por vir.

Não, senhores, não pretendo contar uma historinha de aventuras. Esse blog é sobre o Rio de Janeiro. Mas a descrição acima, com adaptações pode ser usada na nossa cidade quando ao assunto é Táxi. Antes de mais nada, quero deixar claro que não se trata de preconceito ou esteriótipo. Em qualquer atividade profissional há pessoas sérias e há picaretas. Mas alguns ofícios tem lugar no coração das pessoas, outras não. Afinal quantas vezes já não ouvimos que "todo advogado é safado"? O mesmo se aplica aos taxistas.

Evidentemente que na frota de milhares de táxis do Rio de Janeiro temos muitos pracistas sérios, bem educados, bem informados e que honram a profissão. E o que eles fazem não é notícia. Os picaretas sim, são alvo das histórias e que passam compor este post e alguns outros que poderão vir.

Aliás, a capacidade de separar o joio do trigo é qualidade que a Prefeitura não tem. Quando o Poder Público fala em fiscalização, ele está pensando em arrecadação, mas nunca em qualidade.

Pense no seu carro, e no trabalho que ele te dá no início do ano com IPVA e vistoria anual. Para o pracista esses inconvenientes são exponencialmente maiores. Há vistoria de taxímetro, do tanque de gás natural, do próprio veículo, etc...

E isso sem uma estrutura própria e adequada para que eles não percam um dia inteiro de trabalho. Basta imaginar que a vistoria da SMTR é em Jacarepaguá, mas basta cair em exigência que o taxista tem que vir ao Centro do Rio e voltar para refazer a vistoria!

As blitz à luz do dia para caçar e arrecadar acontecem. Mas quando cai a noite, a praça fica sem lei. Na Lapa, ou nos blocos de carnaval, ou em qualquer outro grande evento esportivo. Ali NÃO TEM FISCALIZAÇÃO. Taxistas credenciados desonestos, e mais ainda, taxistas piratas ali fazem a festa.

Quem frequenta a Lapa já conhece o script: começa pelo assédio dos "chamadores de táxi", que "conseguem o cliente" para o pracista, e passa pelo momento em que este decide se você, passageiro, cliente, contribuinte, serve ou não serve para ele. Se a viagem é longa, que ótimo! Você chegará em casa (em tese) sem problemas. Agora, se você mora perto da Lapa, problema é seu, afinal ele não ficou na fila pra uma corridinha até a Glória ou Botafogo.

Sem contar com as vezes que o passageiro até consegue a corrida, mas é obrigado a embarcar num carro que transforma uma viagem tranquila em uma tentativa de tele-transporte, dada a velocidade e bandalhas que ele faz. Reclamando, obviamente.

E você que comprou a ideia da Lei Seca, e resolveu deixar o carro em casa para poder beber, fica a ver navios. É dispensado, descartado, e transforma seu fim de noite em tormento. Várias foram as vezes que anotei a placa do veículo e liguei para a SMTR. Mais da metade fui informado que o táxi era pirata, e por isso não poderiam fazer nada.

COMO ASSIM NÃO PODEM FAZER NADA???

Fiscalizem oras! Coloquem uma blitz, como outras tantas, neste locais estratégicos. Façam a abordagem nos táxis que ali estão. Tenho certeza que aqueles que estiverem em dia irão reclamar do incômodo da "dura", mas vão agradecer a diminuição da concorrência de quem não fez por onde para isso.

Caso tenham histórias de viagens de táxi, não deixe de compartilhar conosco nos comentários abaixo.

ATUALIZAÇÃO (26/12/2012)

O programa de humor PORTA DOS FUNDOS, que costuma postar seus vídeos no site Kibe Loco fez uma brincadeira com o que foi retratado neste post. Se na vida real, a pressa do pracista se resume em investigar qual o destino da corrida, o questionário do personagem ganha fácil de qualquer censo do IBGE. Vale a pena dar uma olhada!


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