sexta-feira, 16 de março de 2012

Olho Grande Não Entra na China, Mas Manda no Engenhão



Como vocês vão perceber este post não tem a ver com mobilidade urbana. Mal começamos esse blog e vou ficar no furo com vocês. Mas não posso deixar de expor minha revolta com o modo como o torcedor/consumidor é mal tratado em nossa cidade.

Acabo de chegar o Engenhão. Naturalmente irritado pelo resultado do jogo e por como ele se desenvolveu. Mas infelizmente não ficou (só) nisso.

Todos que frequentam o estádio tem memorizadas ao menos 3 das várias críticas que recorrentemente são citadas por torcedores e imprensa. As dificuldades de acesso e estacionamento são mais que conhecidas.

Não a toa que dizem que o Estádio Olímpico João Havelange é um "disco voador que pousou em Engenho de Dentro" tamanho o contraste entre suas suas linhas modernas e o bairro que o cerca com ruas estreitas e infraestrutura sofrível.

Eu que sempre prefiro ir de trem para os jogos, fui obrigado a ir de carro, fazendo uso do estacionamento que fica sob o complexo esportivo. E antes mesmo do jogo começar eu já tinha sido roubado ao pagar o estacionamento.

Começa pelo fato que a chegada à entrada demanda muita paciência. Para aqueles que vem pela Rua Piauí, oriundos ou da Av. 24 de maio ou da Rua Goiás o engarrafamento dá o tom. Para os mais iniciados, vindo da Av. Dom Hélder Câmara a situação é apenas um pouco melhor.

O caminho é repleto de flanelinhas de ocasião, prontos para te mostrar a "vaga perfeita". Isso sem falar nas casas e terrenos que abrem suas portas para o parqueamento dos torcedores.

Mas você resolve estacionar no estádio, em nome de uma maior segurança, de conforto e tranquilidade, mesmo que tenha que pagar um pouco mais, não é isso?

Bem, essa última parte a administração (Stadium Rio) entendeu muito bem. Mas só essa. Porque o serviço...

Ao entrar no estacionamento, só descobrimos o tamanho da facada ao chegar ao guichê, quando o retorno, se não impossível, causará enormes transtornos. Ao lado de uma atendente já não assim tão simpática, vemos o preço: R$25,00!

Em tempo: preço igual para carros, motos e vans.

Ano passado, tínhamos uma tabela de valores que partiam de R$10,00 para partidas de menor importância
e R$25,00 em finais de campeonato. A justificativa para o preço de ontem? "Jogo de Libertadores".

Até confesso que na entrada vi algo que não se vê sempre. Agentes de tráfego trajando roupas pretas indicavam onde havia vagas. E só.

Tudo se transforma na hora da saída. O caos se instala. Filas triplas se formam no corredor que chegará nas cancelas onde passam apenas dois carros. A cada vaga que desocupa, esta vira caminho para mais uma "fila alternativa".

E onde estão os funcionários do estacionamento? Boa pergunta!

As meninas dos guichês de pagamento não estão mais lá. O cupom que recebemos na entrada não é cobrado, ou seja, qualquer pessoa pode sair com o seu carro. Os operadores de tráfego que poderiam evitar o caos interno também tinham sumido.

E qual o resultado disso? Ao menos eu demorei UMA HORA para sair de dentro do estacionamento. Bem mais tempo do que foi necessário para sair do entorno do Engenhão até minha casa no Flamengo. Total non sense.

Os problemas de sempre de uma ida a jogo de futebol no Rio de Janeiro como apertos no acesso às roletas, falta de água nos banheiros e bombas de pimenta nos olhos, e agora, o estacionamento do Engenhão neste estado de coisas dá o tom de como não há a menor preocupação com o conforto do torcedor.

Mas esse é apenas mais um passo no processo de elitização do futebol, expressão legítima do povo brasileiro, em especial o carioca. Com preços de ingressos nas alturas, bebidas a preços extorsivos dentro do estádio e agora esse assalto ao parar o carro, só afastam o cidadão médio do Rio de Janeiro. Como um pai de família poderá levar seus dois ou três filhos?

Minha esperança é que com a Copa no Brasil, o povo veja que é possível sim tratar o torcedor de forma decente, e a partir daí passe a reclamar seus direitos.


ATUALIZAÇÃO:

Foi publicada hoje, 11/04/21012, no Blog "Primeira Mão" no portal Globoesporte.com nota sobre o preço cobrado pela administração do estádio por cada vaga no jogo Fluminense x Boca Juniors: http://globoesporte.globo.com/platb/primeiramao/2012/04/11/vaga-salgada/

3 comentários:

  1. Os percalços pelos quais você passou são consectários óbvios da desorgonização dos administradores brasileiros, que, em se tratando de eventos médios, tem planejamentos irrisórios e desrespeitosos, causando, assim, assombroso temor em relação aos eventos de maior magnitude a que se habilitam irresponsavelmente.

    ResponderExcluir
  2. Isso tudo só desanima e dificulta a ida ao estádio, além do difícil acesso ao Engenhão ainda temos que aceitar esses preços exorbitantes, realmente é vergonhoso!

    ResponderExcluir
  3. imagina o preço, no maracanã (ou seu entorno) para os jogos da copa... chuto 50 reais pra estacionar, e com o mesmo caos que vc passou...

    ResponderExcluir