domingo, 22 de fevereiro de 2015

Volta ao Blog! Feliz por ser um Dino!

Lá se vão quase dois anos desde meu último post. Boa parte deste tempo passei me prometendo voltar aqui para escrever uma ou duas linhas. Evitar textos prolixos. Criar ferramentas que me permitissem estar sempre alimentando este espaço. 
Afinal, sempre me disseram que uma das regras fundamentais de um blog é manter o leitor na constante espera da nova postagem.

Muita coisa se passou desde então. Um mês incrível curtindo uma Copa do Mundo no meu país, seja como expectador, seja na inigualável experiência do voluntariado. Mais dois carnavais maravilhosos. Uma cidade transformada em um grande canteiro de obras. Enfim, assunto tinha, só faltava vergonha na cara para botar a coisa no papel. Ou na tela do computador.

Vamos começar pelo fim: o Carnaval que chega hoje ao final de sua programação com o desfile do Monobloco pela Av. Presidente Vargas. É bem verdade que, por uma série de motivos, deixei de ir a muitos dos meus blocos favoritos. Mas vi uma cidade que a cada dia se prepara mais e mais para receber eventos deste porte, apesar do caos diário que o Centro do Rio se transformou.

O sistema de entrada do metrô parece ter melhorado. Não sei se houve campanha para aquisição de cartões pré-pagos, mas praticamente não vi as filas intermináveis que ocupavam os guichês das estações. Igualmente vi menos reclamações a respeito da quantidade de banheiros públicos. Mais abaixo, deixo claro que nem tudo são flores. 

Mas meu destaque de carnaval vai para a última segunda, quando tive o prazer de tocar para mais de 6000 pessoas no Largo de São Francisco, com os Dinossauros Nacionais. 


Não me perguntem o porquê, mas a emoção deste ano superou as edições anteriores, até mesmo a nossa estréia em 2013. Naquele ano, um mero encontro de ex-alunos, às vésperas do carnaval, deu início a uma montanha russa de oficinas com instrumentos que inicialmente mal sabíamos segurar até o momento em que, um belo dia, estávamos diante do público, no que seria a primeira apresentação em público.

Dois anos depois, a experiência nos torna mais fortes para encarar os desafios que se apresentam ainda mais sacrificantes em um modelo que privilegia as agremiações mais importantes, e deixam as menores por conta dos seus próprios esforços. Basta ver como blocos tradicionais do RJ chegaram ao feriado ainda precisando de recursos, ou mesmo, cancelando seus desfiles e deixando na mão milhares de foliões. Mas as dificuldades encontradas dão a medida do blend de satisfação que o show de 2015 proporcionou.

Para pessoas, como eu, que tem absoluta adoração por esta época do ano, fica mais fácil de entender e sentir-se realizado por tocar enquanto absolutos estranhos curtem aquele momento. A despeito de desforço financeiro ou pessoal, a justa retribuição é paga em olhares vidrados e sorrisos gratuitos, como o de uma menininha que, colada na grade, não conseguia articular outra frase que não "vocês são show de bola".

Prometo voltar a temas mais instigantes, nos próximos posts, mas precisava colocar para fora esta felicidade que só Momo é capaz de implantar em nossos corações. Até!

Rapidinhas!

Fantástica a Fantasia de
Romero Britto!
  • Porque o Metrô persiste com este horário esdrúxulo de ter metrô 24h durante parte do Carnaval, visivelmente em função dos desfiles da Sapucaí, e fecha antes da hora normal de dias úteis na terça-feira, quando ainda há milhares de pessoas nas ruas em blocos e nos desfiles populares do Centro do Rio e da Cinelândia? Qual o problema de estender o horário privilegiado até a quarta de cinzas? 
  • Apesar de algumas reclamações, achei que a transferência dos desfiles para a Av. Graça Aranha trouxe benefícios. Mesmo sendo o tradicional local de desfiles do Rio de Janeiro, a Av. Rio Branco é larga demais para o tamanho atual daqueles, dispersando os componentes. Assisti ao Bafo da Onça e do Cacique com uma intensidade que não tinha visto nos anos anteriores.
  • Impressionante como nada se faz para punir taxistas que cobram no tiro, ou escolhem passageiros de acordo com sua conveniência comercial. Cariocas e visitantes ficam a mercê desta prática nojenta, agravada pela já conhecida indisponibilidade dos meios de transporte, pelo esquema especial feito em razão do carnaval e das obras do Centro do Rio.


Valeu galera! Foi demais!

Por fim, gostaria pedir o apoio dos amigos para as ferramentas de interatividade dos Dinossauros Nacionais:




domingo, 2 de junho de 2013

Reencontro: Alegria ou Decepção?

A Nova Arena do Rio de Janeiro
Vim aqui escrever alguma coisa. Não tô conseguindo dormir. Daqui a algumas horas volto pra minha casa. Ou o que sobrou dela. Tô falando do Maracanã. Disseram que está mudado. Que virou uma tal arena. Igual as que tem na Europa e vemos na Liga dos Campeões.

Meu vizinho disse que não vou gostar. Que o estádio mudou demais. Que o povo não tem mais vez. Que o Maraca não é mais nosso, mas de meia dúzia de sujeitos que vão escolher quem vai jogar. E que vão cobrar um dinheirão por isso. Não é possível. Como é que eu fico, nas tardes de domingo, sem a torcida no Maracanã? Eu já tinha achado estranho quanto eu paguei no ingresso do jogo do Brasil. Mas aí tudo bem, né? Festa de inauguração, festa diferente. Mas já disseram que o jogo será a bico seco e barriga vazia, pois sem biscoito Globo e com cachorro-quente de oito pratas, eu prefiro fazer um lanche na Central antes de ir pro jogo!

Jantar no Maraca não é uma Opção
E vamos combinar? Não mudou tanto assim. Pelo menos é o que eu vejo nos jornais. Uma tal Juíza (que não deve gostar de futebol) queria acabar com a nossa bagunça de amanhã. Um papo chato que não tinha laudo disso e laudo daquilo. E quem se importa com isso? Tirando em janeiro quando morreu aquele monte de meninos lá no Rio Grande, o povo nem lembra disso. Tanto é verdade que logo que a moça inventou essa papagaiada, logo logo os tais papéis apareceram dizendo que estava tudo certo, que não tem risco para quem for tudo jogo. Tá tudo dominado.

Aí vem a imprensa com mais chatice mostrando fotos de entulho, de pedaços de ferro, de operários trabalhando na velocidade da luz. Mas e daí? Quem liga pra isso? O Maracanã foi a joia da Copa de 50 cheio de andaimes. Só ficou pronto depois de 15 anos! Obra é uma tradição do estádio! Tanto é que por mais que eles queiram nunca cumprem o prazo. Prometem data de entrega. Esquecem que prometeram. Esquecem quanto tinham pra gastar. Esquecem o que gastaram. Entregam sem entregar em uma pelada de ex-jogadores. Terminam uma obra sem terminar. Acho que não terminam, para não ter que depois começar outra. Bem, deixa pra lá...

Maracanã Pronto Para ser Entregue. Oh, espera!
O certo é que toda reforma sempre teve um motivo. Foi o PAN ou a Copa ou as Olimpíadas. E sempre com uma novidade! Um dia dizem que a gente não pode mais sentar no cimento. Ou que a geral não servia. Agora tem esse papo de lugar marcado e cadeira de cinema. Nada mais de marcar com os amigo no Bellini e dali partir pra ver o jogo no 42 (não necessariamente sentado). Escolhi meu lugar em casa, na frente do computador. E se não der sorte? Como faço?

Mas pelo menos tenho certeza que posso contar com as velhas filas para entrar, para ir ao banheiro, para comprar minha cervejinha (opa... até isso mudaram...). O metrô continua cheio, o ônibus continua ruim. Ainda vamos desviar de lixo e entulho. Ainda vamos ter cambistas a solta cobrando o quanto querem. Também a polícia sempre bem treinada, pronta a dar todo tipo de informação, até nos ajudando a "pegar no tranco" quando preciso. Maracanã sem perrengue não é Maracanã. 

Ai, ai... Domingo, eu vou pro Maracanã. Deixa eu aproveitar, antes que fechem de novo para mais uma obra "indispensável"!

O depoimento acima poderia ter sido falado por mim. Poderia ter sido falado por qualquer um.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A Nossa Cota de Culpa

Estou a muito tempo sem escrever neste espaço. Nem por falta de ideias, mas por falta de tempo mesmo. Dedicado a vários outros projetos, falta tempo inclusive para apreciar esta cidade linda em que moramos e pensar como podemos dar nossa contribuição, mesmo que singela. Entretanto, caio na real ao ver que antes de pensarmos no upgrade da cidade, temos que pensar no mínimo que temos que fazer dia após dia.

O sentimento de quem escreve este blog, e que deve ser refletido no texto, é o da alegria de podermos viver nossa cidade e fazer com que o titulo de "Maravilhosa" seja cada vez mais merecido, contudo sem abdicar de uma visão crítica e ao mesmo tempo propositiva. Esta consciência cívica, se assim podemos ter a petulância de definir, nos lembra que todo início de ano, após o espocar dos fogos de Copacabana, vem lições, alertas e resoluções aprendidas apenas com o acontecer de uma grande tragédia.

Você saberia usar um extintor, caso precisasse?
Estão aí os exemplos para quem (não) quiser ver e lembrar: naufrágio do Bateau Mouche, o efeito devastador das chuvas com números maiúsculos de mortos em Niterói, Angra dos Reis, Região Serrana, em razão de deslizamentos além das enchentes na Baixada e na Cidade do Rio de Janeiro. Isso sem falar nos surtos anuais de dengue que, mantidos os responsáveis e as vítimas de sempre - até o mosquito é o mesmo -  só o que muda é o tipo do vírus.

A tragédia que está na ordem do dia é a morte de mais de 200 jovens em um forno, ou melhor uma boate na pequena e pacata cidade de Santa Maria-RS, em decorrência de um incêndio iniciado graças a um mal sinado efeito pirotécnico somada ao despreparo do estabelecimento para situações de emergência. A imprensa vem esgotando as análises sobre a miríade de fatores que participaram desta equação mortal (falta de plano de escape, inadequação da planta, falta de treino e bom senso dos seguranças, uso de material inflamável, ausência de fiscalização do poder público...) e dando palanque para todos os personagens dispostos a entrar neste circo onde ninguém tem razão e todos tem culpa em alguma medida.

Eu disse todos? Sim, todos. Inclusive nós, que moramos a cerca de 1.700km da cidade gaúcha temos nossa parcela de culpa, se não nesta tragédia, mas com certeza em outras que podem ou não acontecer. E olha que não estou falando de cobrar operações encampadas pelas autoridades, ou melhor, "bater palmas", mostrando que agora tudo vai mudar, e o mundo vai se tornar um local melhor para se viver. Pare para pensar: você honestamente acha que a explosão de gás do Filé Carioca, na Praça Tiradentes revolucionou de forma permanente o modo como as cozinhas da cidade são fiscalizadas?

Passando pelo conceito de pertencimento, já falado no Pra Falar do Rio, mas agora pensando no dever de cuidado e de preocupação com o próximo, cabe nos perguntarmos o que fazemos em nosso dia-a-dia pensando de fato nas consequências que nossos atos podem causar para nós e para as demais pessoas que convivem no mesmo espaço que nós. Cabe reflexão sobre como podemos mudar nossos hábitos e o que mais podemos fazer para nos tornamos mais senhores do nosso destino e menos expostos ao imponderável. Ouvindo a coluna Condomínio Legal na rádio CBN, o consultor Márcio Rachkorsky expõe que ao passo que os síndicos resolvem questões legais e regulamentares não há o engajamento dos moradores para a brigada de incêndio, escadas são obstruídas com lixo (geralmente inflamável), corredores com vasos de plantas e outras práticas. 

Mesmo no meu local de trabalho onde há uma programação teórica e prática anual para fuga e combate a incêndio, se vê o desinteresse de servidores e magistrados. Para uns é perda de tempo, para outros apenas uma forma de quebrar a rotina. Não é diferente pensar na minha rua, onde há um caso crônico de alagamento nas esquinas (sendo incluída em um nada honroso Top 5 da Zona Sul), mas basta ver os bueiros nos dias de sol para notarmos grande quantidade de lixo e terra. 

Comportando-se como gado, como esperar tratamento diverso?

Não podemos deixar de mencionar as irresponsabilidades que testemunhamos todos os dias em nome da preguiça, da pressa ou mesmo do hábito (!!!). Quem já teve que embarcar em alguma composição na Central do Brasil em horário de pico conhece a odisseia diária para conseguir um lugar sentado no vagão, a custo de uma disputa corporal com os outros usuários. Idosos, grávidas e crianças não tem vez. Quedas são mais que comuns. Da mesma forma, quantos são atropelados por se recusarem a usar as passarelas colocadas em vias expressas como o Aterro do Flamengo ou a Av. Brasil? Quantos acidentes causados por motociclistas que trafegam por corredores que não são deles? Exemplos são muitos e não cabem neste texto.

Em uma teia legislativa tão vasta, com milhares de regulamentos técnicos (e outros nem tanto), não se pode ignorar a possibilidade de, mesmo imbuídos de um incomum senso de cidadania, deixarmos alguma ponta solta que cause algum tipo de risco. O que não podemos aceitar é a política do "foda-se" ou do "não tô nem aí" que impera, e faz com que, p. ex. empresários se preocupem apenas com a preservação de seu patrimônio (contra sinistros, contra terceiros e contra seus próprios sócios), e deixem de lado - até que sejam obrigados a mudar de postura - obrigações relativas a segurança e a gestão.

Vejam a lista dos mortos na boate sulista e verão um significativo número de jovens menores de idade. Não nos espantamos por sabermos que é costume o uso de documento falso (isso quando ele é solicitado) para entrar em casas noturnas. É bonitinho usar a carteira de estudante conseguida no esquema do cursinho ou por algum "conhecido", mesmo sabendo do impacto que isso causa no preço final, conta essa dividida entre o dono do cinema e os "otários" que não fazem uso do expediente.

Por quanto tempo vamos legitimar nosso "jeitinho" para burlar regras por achar que conosco é diferente? E achar que quando "quebram essa" para nós nunca vai ter consequência futura? Ao contrário do fundamental direito ao voto, onde o nosso poder de mudar o que já não dá certo fica diluído, mudando nossas práticas, respaldando o certo, averiguando o que não está legal e corrigindo, mesmo que de forma restrita ao nosso lar ou ambiente de trabalho, já produzimos resultados imediatos. Fazendo mais uma menção a um texto anterior deste blog, a cidade é nossa! Vamos fazer por onde para que ela continue sendo assim.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

"Turn Around Yourself"

Brincadeira de Internet "traduzindo" os nomes dos bairros do Rio
Não. Este blogueiro não ficou doido. É óbvio que que esta expressão está errada, não se tratando da tradução do nosso "se vira". Mas eu não duvidaria se me dissessem que ela já foi empregada em nossa cidade para algum estrangeiro recém-chegado à terras cariocas.

Morando próximo a hotéis e hostels, indo a locais públicos como estádios de futebol e shows musicais, ou mesmo usando o metrô não é incomum nos encontrarmos com visitantes conhecendo nossa cidade. Vencida a barreira do primeiro contato (pois muitos fogem de qualquer conversa não-autorizada ou não-necessária), possivelmente encontrará o espanto do turista com o simples fato de que sabe falar em seu idioma. Mas por que isso?

A explicação é bem ilustrada por uma situação que vi, mais uma vez, em uma lanchonete perto de minha casa. Um hóspede de um dos hostels próximos gastou longos minutos até conseguir pedir um simples prato com frango, fritas e salada. Como o estabelecimento não estava cheio e o cliente era esteticamente palatável aos olhos das atendentes, não fez muita diferença. Mas um dia cheio é sinônimo de transtornos para o bar e mais ainda para o cliente. 

Eu já conversei com o gerente, mais de uma vez até, sobre a necessidade de um cardápio em inglês, para facilitar o atendimento, em local visível e de fácil acesso. Talvez pelo sentimento de que um bar como aquele, que trabalha 24h ao dia, em situado em local estratégico não precisa de muita coisa para manter sua margem de lucro, é que até existe uma cardápio nestes moldes, mas que fica guardado ao lado do microondas, do outro lado do balcão, longe das mãos e dos olhos de qualquer turista com olhos de raio-x ou mesmo com poderes mediúnicos que tenha interesse em usá-lo. Enquanto isso, quase uma dezena de versões apenas em português ocupam o balcão, além de toda comunicação visual.
Andar de Ônibus pode ser um desafio...

Tenho como certo que muito deste estado de coisas há de ser corrigido com a chegada da Copa do Mundo e com os Jogos Olímpicos. Ao menos no metrô - e mesmo assim no básico - e nas arenas esportivas. Mas sabemos que não é suficiente. Não podemos contar apenas com a "bolha protetora" da FIFA ou do COI para orientar quem não fala o português: a grande maioria do planeta.

Em recente ida à Argentina, não raro encontrava estabelecimentos com cardápio trilíngue. E muitos prestadores de serviço neste mesmo perfil. É certo que a proximidade geográfica e de idioma entre os dois países facilita muito as coisas, mas o ponto é que se verifica uma maior atenção em atender as demandas dos cidadãos e dos visitantes, especialmente se considerar que é uma cidade com número de bares e cafés acima da média. Estimulada a concorrência, os estabelecimentos ainda oferecem outras funcionalidades como, por exemplo, wi-fi gratuito (ainda raridade no Brasil). Aqueles que já se atualizaram conseguem se destacar e captar mais clientes.

E esta constatação não fica restrita aos restaurantes. Táxis, ônibus coletivos, supermercados, placas de orientação e até, pasmem, recepcionistas de hotéis e pousadas podem ser desafios nada interessantes para quem domina o idioma de Camões. Em outras cidades, exige-se capacitação específica para atender visitantes, e aqui?
Capacitação universal como utopia

Por evidente, a conclusão que se tira de todos estes fatos é que a cidade como um todo, setores públicos e, principalmente, o privado (com ênfase nos pequenos comerciantes), assim como a população de forma geral, vem perdendo a oportunidade destes grandes eventos para se qualificar e potencializar seus lucros através de estratégias mais avançadas do que a simples e oportunista majoração de preços.

Cumpre a nós pensamos que tipo de ajuda nos iríamos gostar em nossas viagens a outro país, e depois, ver se já oferecemos isto a quem nos visita. Tal como em nossas casas, ser anfitrião é uma tarefa que dá trabalho e exige nossa dedicação.

A nossa linda Árvore de Natal da Lagoa
Depois de termos alguns pequenos ensaios, como os Jogos Mundiais Militares, 2013 nos reserva alguns verdadeiros desafios como a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude Católica. Espero que estes eventos acordem a cidade de vez para o fato que a preparação não se restringe a obras encampadas às pressas e a margem do que é legal e moral pelo Poder Público, e que a transformação começa de cada um de nós.

Em tempo, eu desejo um feliz natal a todos os cariocas e demais pessoas que me dão a honra da visita neste blog, concordando ou não com minhas opiniões. Espero contar com vocês em 2013!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Os Predadores Amarelos das Ruas do Rio Aguardam o Dia da Caça

Viagem, fim de ano, início de recesso forense e tempo de sobra para postagens. Muitas ideias na cabeça. Muitos posts e reflexões a caminho. 

Tempos atrás, eu já contei como pode ser uma aventura pegar um táxi no Rio de Janeiro, seja pela surpresa do preço a pagar, seja pela sensação de estar em um brinquedo da Disney. Em um nicho de prestação de serviços com tanta regulamentação do Poder Público Municipal, causa espécie como existe tanta bandalha em nossa cidade. As ruas estão tomadas por táxis piratas, passageiros de portos e aeroportos são reféns de máfias amarelas que cobram o querem, do jeito que querem. Grandes espetáculos se apresentam como perfeitas oportunidades para os motoristas que querem turbinar seu orçamento mensal às custas de desavisados e pessoas desesperadas para chegar à casa.

Recentemente estive em Buenos Aires (que aliás me deu uma outra percepção de cidade) e fiz uso dos táxis. Devidamente munido das várias recomendações que se faz sobre os motoristas locais (como por exemplo as feitas pelo blog do Ricardo Freire, ou ainda aqui), achei o serviço bem prestado. Em momento algum me senti enganado, ou fui constrangido pelo pracista. É bem verdade que a grande maioria dos profissionais não faz muita questão de falar o português, mas ante a proximidade com o idioma espanhol, as dificuldades são superadas com alguma facilidade.

Importante ressaltar que os táxis da cidade argentina são mais preparados para atender ao turista. Atrás do banco do motorista há cartaz com os dados do veículo, além das regras de cobrança e cálculo do valor da corrida, em 3 idiomas, sem contar com a já conhecida identificação do condutor sobre o painel. Bem diverso do Rio, onde trocas de tarifas implicam em viaturas correndo pela cidade com tabelas afixadas nas janelas, com os preços reais a serem cobrados a partir do que mostra o taxímetro.

Em que pese ser um problema que aflige a maioria dos prestadores de serviço da cidade, a maioria da frota não está preparada para atender bem ao turista no que se refere ao idioma e ao próprio conhecimento sobre a cidade. E não me refiro aos endereços, mas quanto aos locais importantes do Rio e sua importância, seja histórica, seja para o dia-a-dia da população.

Resolvi falar sobre táxis novamente em função da chegada dos transatlânticos e ainda de algumas notícias sobre o assunto divulgadas na imprensa. Não sei se já dá para se animar com a maior repressão aos táxis piratas, mas ao menos se vê algo sendo feito nos pontos mais óbvios. Quem passa pela Av. Rodrigues Alves, em frente ao Terminal de Passageiros esta semana viu todo um aparato da fiscalização, verificando os carros que ali passavam. Operação semelhante, ocorreu no Aeroporto Santos Dumont conduzida pela Prefeitura. A promessa é que estas operações tornar-se-ão presentes durante a alta estação. Mas sem dúvida deveria ser estendida a outros pontos como a Lapa, o Baixo Gávea e a Copacabana, e com atuação por todo o ano, tal como temos com a Blitz da Operação Lei Seca.

E justamente dentro daquele conceito de pertencimento que já abordei neste blog, não podemos depositar toda a missão de fiscalizar no colo do Município, e devemos fazer nossa parte denunciando os maus profissionais, ou mesmo, apontando a bandalha, já que sabemos que este esforço do Rio é bem aquém do necessário, tanto que hoje mesmo tivemos uma turista colombiana ferida ao esperar seu troco de R$4,00 em uma corrida vinda do mesmo aeroporto para a Glória, e cuja identificação do veículo envolvido apenas se deu com a participação daqueles que testemunharam o episódio.

 Há muito a fazer  e a evoluir, mas ao menos, surge no horizonte que vamos tomando o caminho certo.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Amigos, Bikes e Samba no Rio de Janeiro...

Não raro lemos em notinhas de jornal sobre títulos e prêmios que a cidade do Rio de Janeiro ganha: "Capital da Simpatia", "Melhor Destino Gay", "Patrimônio Mundial da Humanidade", etc... E essa é uma verdade que vem de muito antes de nos tornarmos a "Cidade Olímpica" ou a sede da "Copa do Mundo FIFA 2014".

Em uma cidade que ainda tem baldes de problemas sociais, preocupações com ladrões e espertinhos que queiram se aproveitar, transporte e organização nem sempre adequados, a grande maioria dos turistas vai embora com gostinho de quero mais. Nós, que ficamos, exercitamos nosso espírito crítico em espaços como este.

Mas o que eu acho mais fabuloso é como é fácil se integrar com grupos e tribos das mais diferentes tendências, pretensões e objetivos em curto espaço de tempo. Buscando uma atividade física, frequentando espaços públicos, eventos sociais ou navegando na rede.

Não precisamos perder muito tempo brincando no google ou no facebook para descobrirmos bandeiras, projetos, revindicações pelas quais vale a pena se lutar. Mas que fique bem claro, que estamos falando de pessoas, e sendo assim, embora importante como ferramenta de divulgação, não basta a atuação virtual. As conquistas só serão alcançadas com real engajamento dos interessados.

E pouco tempo após ter publicado um post sobre o projeto de ciclovia do Porto Maravilha, com vídeo de palestra de como podemos, de fato, ter as magrelas como alternativa real de transporte em nossas vidas, tive contato com tantas informações e pessoas, que não poderia inseri-las aqui como meras atualizações daquele post.

Gostaria de citar três belíssimos blogs! No "Transporte Ativo" não se restringiu o assunto apenas às bicicletas, discutindo-se o transporte de forma ampla, trazendo para o cidadão comum experiências de outros países e reflexões super interessantes como o do post "Proibido Peixe no Metrô", que nos obriga a uma reflexão do que está por trás de cada placa de nossa cidade e mais importante a grande notícia (e que justificaria ser uma atualização): Está se propondo uma rota real para bicicletas no Centro do Rio, bem como em outros bairros da cidade! E o mais importante, através de fóruns coletivos e participação popular.

O segundo blog que mencionei "A Vida de Bicicleta" é mais direcionado ao povo dos pedais, com excelentes dicas sobre oficinas e lojas, artigos sobre o assunto, reportagens que foram divulgadas na imprensa, clipping, etc, com todo o destaque para a luta dos moradores de Laranjeiras e do Cosme Velho para a criação da ciclofaixa e infraestrutura mínima para os ciclistas na principal rua do bairro, onde sem dúvida os carros são prioridade a ponto de termos trechos com calçadas de 20 cm de largura e há sim uma grande demanda reprimida. E olha que já existem bons projetos para resolver esse problema!

Por fim, o portal "Eu Vou de Bike", menos focado no Rio de Janeiro, mas com diversos tópicos interessantes sobre o assunto, experiências de outros países e um amplo espaço para o debate.

Aproveitando o jabá, e falando sobre interação entre pessoas tipicamente carioca, vou falar do 1º ensaio aberto do bloco "Dinossauros Nacionais", fundado inicialmente por ex-alunos da Faculdade Nacional de Direito (UFRJ) e que vai se preparando para seu debut no carnaval carioca, focando seu repertório nas canções dos anos 80. Ainda, já que não custa nada, fica o pedido para que curtam nossa página no facebook!

E por fim, falando em amizades virtuais que se transformam em amizades reais, com lutas reais por objetivos reais, eu presto a devida homenagem aos amigos conquistados na discussão dos rumos do meu time: o Clube de Regatas do Flamengo, através de blogs temáticos ou não: FlaManolos, FlamengoNet, Donas da Bola, Magia Rubro-NegraFlamengo, Aspirinas e Urubus,...

Em tempo: Para Presidente do Flamengo, eu voto Eduardo. Eu voto Chapa Azul!

sábado, 17 de novembro de 2012

Ciclistas no Porto das Maravilhas

Uma das Ciclorutas de Bogotá
Este blog não é destinado apenas aos ciclistas do Rio de Janeiro, mas parece. Sou obrigado a voltar ao tema mobilidade urbana levando em conta a atenção dispensada pelo poder público aos usuários das magrelas.

Um dos meus primeiros posts neste espaço foi sobre como se vende a imagem da "vocação ciclística" de nossa cidade apesar de termos uma malha cicloviária nitidamente voltada para atender aos interesses do corredor econômico, privilegiando áreas a beira-mar na Zona Sul, ao invés de efetivar os postulados da ecosustentabilidade tão em voga nos dias de hoje.

Tempos atrás, circulando pelas cercanias da Praça Mauá visualizei no chão sinalização horizontal típicas das ciclofaixas da Zona Sul (que nunca são respeitadas). Empolgado pela novidade, resolvi consultar o mapa das intervenções na Zona Portuária e o tratamento dado aos ciclistas, que terão um belo boulevard com privilegiada vista para a Baía da Guanabara, com seus novos ícones: o Museu de Arte do Rio e o Museu do Amanhã.

Porto integrado ou isolado da Cidade?
Basta uma olhada superficial no mapa para vermos que a lógica de planejamento não mudou muito. A área mais próxima da costa receberá toda a atenção dos modais de transporte (VLT's, carros e até bicicletas), justamente onde se irão estar situados os novos empreendimentos comerciais e marcos culturais. No entanto, salta aos olhos como a nova malha cicloviária praticamente não se conecta com o centro da cidade chegando apenas próximo à Avenida Presidente Vargas, sendo que não alcança a Central do Brasil.

Considerando que não existe qualquer espaço para a galera do pedal no Centro do Rio, deduzimos que a nova ciclovia não passa de um oásis, uma miragem na desordem urbana na medida em que está desconectada do resto da cidade, sem ligação com alguma outra ciclovia, sem ligação com trem e com as barcas, e um quase conexão com apenas uma estação de metrô. Em suma, com limitada função social.

Fazendo uma pesquisa superficial na internet sobre malhas cicloviárias de outras cidades do mundo e do uso delas para unir diversas partes da cidade, cheguei ao caso da cidade de Bogotá (Colômbia), que possui mais de 10 milhões de habitantes (quase o dobro do Rio de Janeiro) e normalmente citado pelos nossos administradores em seus arroubos de gatomestragem urbanística e um blog chamado "Cycling Inquisition" com uma importante entrevista com Gil Peñaloza falando da transformação de uma cidade antes entregue ao crime apenas com a ocupação do espaço urbano pelos cidadãos e suas bicicletas.

Para aqueles que não estão na vibe de ler o blog indicado, com a entrevista em questão estando em inglês, recomendo apenas uma rápida reflexão sobre  o mapa das ciclovias de Bogotá, e de como as diversas rotas se conectam, transformando as ciclovias em um real e efetivo meio de transporte:

Será que é tão difícil imaginar uma cidade onde as ciclovias sejam uma maneira viável de diminuir a sobrecarga dos sistemas de transporte público, de forma limpa e sustentável, aliando a falta de tempo do homem moderno à necessidade de praticar uma atividade física? 

Se lhe parece estranho imaginar as ciclovias serão tomadas por hordas de pessoas usando ternos, macacões e outros trajes diversos das calças de lycra, pense como era o trânsito da cidade alguns anos atrás. Não tínhamos tantas motos pilotadas por pessoas de roupa social com pastas de couro na garupa como hoje.

Cumpre a nós, mais uma vez, nos questionarmos que cidade queremos para nós: uma que a gente possa usar de fato, ou uma para aparecer nos folders das agências de turismo mundo afora. Queremos ruas fantasmas dominadas por pedaços de metal de dia e desertos a noite, ou ruas tomadas por pessoas, donas de fato daquele espaço?

E já que você veio até aqui lendo este post, fica a dica para uma interessantíssima palestra TEDx ministrada pelo mesmo Gil Peñaloza, sobre como sairmos dos (bons) projetos para o campo as ações, não apenas copiando modelos pré-existentes e o assumindo como a panacéia de todos nossos problemas, mas adaptando ao que queremos e precisamos. A palestra está em inglês, sem legendas e o sotaque dele não ajuda muito, mas vale a pena o esforço, eu garanto!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A Copa do Mundo é... digo, a CIDADE é nossa!

     Esse blog, nascido no início do ano, deu uma pausa nas suas atividades, voltando poucos dias antes do 1º turno. Para aqueles que me conhecem, sabem que militei pelo candidato Marcelo Freixo, em grande parte pelo questionamento que há muito tempo faço a cada projeto apresentado pelo Poder Público: Que cidade nós queremos para nós?

     Não é minha intenção transformar o Pra Falar do Rio em uma trincheira ideológica contra o Prefeito recém-reeleito ou quem quer que seja. Se foi pela via democrática que candidato e projetos foram escolhidos como os mais adequados para os nossos próximos quatro anos, não é de outra forma que é dever do cidadão analisar e propor outros caminhos e soluções, sem deixar de bater palmas quando entender conveniente.

     Mas para que essas palavras não morram no mar de desabafos em que se transformou a internet, entendo ser preciso começarmos discutindo um sentimento: o pertencimento.

     Não sou sociólogo, ou conhecedor das ciências sociais. Não vou fazer uma resenha de algum livro que discuta a relação entre o público e o privado como é "O Jardim e a Praça", de Nelson Saldanha. Estou falando da vibração que vem das ruas, com o comportamento das pessoas diante do mundo que se constrói ao seu redor.

     Umas das pautas desta semana que passou foi sobre a lúdica prática do "altinho" na Praia de Ipanema. Sem entrar no mérito da atuação desastrosa da Guarda Municipal, incapaz que aplicar o código de posturas da cidade, vem o comportamento inicial dos banhistas não se limitando à prática do jogo em si, mas passando ao ponto de desafiar a autoridade.

Quantos guardam o lixo na bolsa até achar uma lixeira?
     "A praia é local público". Quantas vezes ouvimos esta expressão? E não apenas na praia. Agora reflita, quantas vezes esta frase foi dita na sua frente para justificar uma norma ou regra de convivência e quantas vezes ela foi usada justamente com a finalidade oposta? E mesmo assim, muitas das vezes a primeira aplicação não acontece por outra razão que não o interesse de quem a está defendendo.

     Não é outra a justificativa dada por donos de cães que andam pela areia, jogadores de frescobol, etc... Particularmente não acho o "altinho" tão perigoso assim para aqueles que caminham junto ao espelho d'água.  Só que não é essa a posição "oficial" da sociedade. E se o local é público, valem as regras da maioria.

  Existe uma analogia muito boba, ensinada pelas nossas mães, quando tomava conta do nosso comportamento em casa, pois afinal "começa em casa, e acaba fazendo na rua". Quando crescemos, "evoluímos" esse conceito para "tem coisas que fazemos na rua, mas não fazemos em casa".

     Isso sem falar no clássico, "não faça com o coleguinha o que não quer que ele faça contigo".

     Será que se tivéssemos na rua o mesmo cuidado e asseio que temos em casa, veríamos as ruas tão sujas, com todo o tipo de papel ou embalagem jogados no chão? Não é possível acreditar em banheiros químicos limpos, ao invés dos em estado de semi-interdição típico das grandes festas? É tão difícil sonhar com um trânsito os cruzamentos não estarão bloqueados por falsos espertos?

Atire a primeira pedra quem nunca fechou um cruzamento?
     Mas nem tudo está perdido. Já há cariocas com esta consciência.  Organizados como no movimento "Rio Eu Amo Eu Cuido" ou em ações isoladas de cidadãos no dia-a-dia. Não importa, fazendo a nossa parte, já fazemos muito.

     Não adianta falarmos em militância política. Ou em engajamento de causas sociais. Em primeiro lugar temos que mostrar, por meio de ações, que fazemos questão de cuidar do nosso cantinho, e que carinhosamente chamamos de "nossa cidade". Nós moramos nela. Nós somos ela. É natural queremos saber o que acontece nela e participar para que as coisas sejam do jeito que achamos que deve ser.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Fiscalizar, mas só até a página 2...

O manto negro aos poucos vai cobrindo tudo. A floresta cheia de ruídos e mistérios já estaria tomada inteira pelo breu não fosse a parca luz de uma fogueira que teimava em não se apagar. A cada crepitada da lenha quase em brasas, o acampamento vivia velozes segundos de alívio, logo substituídos por intermináveis minutos de apreensão. Afinal, eles estavam lá a sua volta. Muitos deles. Olhos brilhantes. Guardando o perímetro. Esperando a oportunidade que havia por vir.

Não, senhores, não pretendo contar uma historinha de aventuras. Esse blog é sobre o Rio de Janeiro. Mas a descrição acima, com adaptações pode ser usada na nossa cidade quando ao assunto é Táxi. Antes de mais nada, quero deixar claro que não se trata de preconceito ou esteriótipo. Em qualquer atividade profissional há pessoas sérias e há picaretas. Mas alguns ofícios tem lugar no coração das pessoas, outras não. Afinal quantas vezes já não ouvimos que "todo advogado é safado"? O mesmo se aplica aos taxistas.

Evidentemente que na frota de milhares de táxis do Rio de Janeiro temos muitos pracistas sérios, bem educados, bem informados e que honram a profissão. E o que eles fazem não é notícia. Os picaretas sim, são alvo das histórias e que passam compor este post e alguns outros que poderão vir.

Aliás, a capacidade de separar o joio do trigo é qualidade que a Prefeitura não tem. Quando o Poder Público fala em fiscalização, ele está pensando em arrecadação, mas nunca em qualidade.

Pense no seu carro, e no trabalho que ele te dá no início do ano com IPVA e vistoria anual. Para o pracista esses inconvenientes são exponencialmente maiores. Há vistoria de taxímetro, do tanque de gás natural, do próprio veículo, etc...

E isso sem uma estrutura própria e adequada para que eles não percam um dia inteiro de trabalho. Basta imaginar que a vistoria da SMTR é em Jacarepaguá, mas basta cair em exigência que o taxista tem que vir ao Centro do Rio e voltar para refazer a vistoria!

As blitz à luz do dia para caçar e arrecadar acontecem. Mas quando cai a noite, a praça fica sem lei. Na Lapa, ou nos blocos de carnaval, ou em qualquer outro grande evento esportivo. Ali NÃO TEM FISCALIZAÇÃO. Taxistas credenciados desonestos, e mais ainda, taxistas piratas ali fazem a festa.

Quem frequenta a Lapa já conhece o script: começa pelo assédio dos "chamadores de táxi", que "conseguem o cliente" para o pracista, e passa pelo momento em que este decide se você, passageiro, cliente, contribuinte, serve ou não serve para ele. Se a viagem é longa, que ótimo! Você chegará em casa (em tese) sem problemas. Agora, se você mora perto da Lapa, problema é seu, afinal ele não ficou na fila pra uma corridinha até a Glória ou Botafogo.

Sem contar com as vezes que o passageiro até consegue a corrida, mas é obrigado a embarcar num carro que transforma uma viagem tranquila em uma tentativa de tele-transporte, dada a velocidade e bandalhas que ele faz. Reclamando, obviamente.

E você que comprou a ideia da Lei Seca, e resolveu deixar o carro em casa para poder beber, fica a ver navios. É dispensado, descartado, e transforma seu fim de noite em tormento. Várias foram as vezes que anotei a placa do veículo e liguei para a SMTR. Mais da metade fui informado que o táxi era pirata, e por isso não poderiam fazer nada.

COMO ASSIM NÃO PODEM FAZER NADA???

Fiscalizem oras! Coloquem uma blitz, como outras tantas, neste locais estratégicos. Façam a abordagem nos táxis que ali estão. Tenho certeza que aqueles que estiverem em dia irão reclamar do incômodo da "dura", mas vão agradecer a diminuição da concorrência de quem não fez por onde para isso.

Caso tenham histórias de viagens de táxi, não deixe de compartilhar conosco nos comentários abaixo.

ATUALIZAÇÃO (26/12/2012)

O programa de humor PORTA DOS FUNDOS, que costuma postar seus vídeos no site Kibe Loco fez uma brincadeira com o que foi retratado neste post. Se na vida real, a pressa do pracista se resume em investigar qual o destino da corrida, o questionário do personagem ganha fácil de qualquer censo do IBGE. Vale a pena dar uma olhada!


Redefinindo o Conceito de Espetáculo

Cenário 1: Rostos apreensivos. Mulheres gritando. Crianças chorando. Homens coçando os olhos em chamas graças a bombas de spray de pimenta. Correria. Caos. 

Cenário 2: Rostos descontraídos. As crianças eufóricas com o que acabaram de presenciar. Os pais discutindo acerca de onde vão comer aquela pizza que tinham combinado.


Qual destes cenários combina com uma saída de espetáculo? Se você respondeu a segunda opção, pode até estar certo, mas certamente nunca foi a um jogo de grande porte no Engenhão.

É impressionante como os personagens envolvidos na organização de um "espetáculo" como deveria ser uma partida do Campeonato Brasileiro de Futebol não planejam. Ou pior, não se movem diante dos erros já diagnosticados e o caos já instalado.

De que adiantam times na briga pelo título, ingressos a preços promocionais, ações diversas de marketing se aquela família ali em cima não pode ir ao estádio sem a certeza de que será mal tratada por aqueles que deveriam lhe servir?

E não pense que é apenas na hora da saída! Incompetência para formar uma fila para entrar no estádio. Vistas grossas ao trabalho livre dos cambistas. Falta de água nos banheiros. Rampas de acesso cheias de poças d'água produzidas pelos próprios ambulantes autorizados que resolvem escoar ali, logo ali, o gelo derretido dos seus isopores.

Como podemos ter um estádio "moderno" como o Engenhão, com suas várias rampas, elevadores, capacidade reduzida, etc como manda o figurino das novas arenas se o acesso ao principal meio de transporte é feito por UMA ÚNICA RAMPA, que é compartilhada com aqueles que só querem ir para o outro lado da via férrea.

Após ser devidamente imprensado e esmagado o usuário chega até a roleta. E daí? O modelo usado APENAS neste estação é bem mais lenta que os outros modelos da rede. E sendo apenas 4 roletas, o resultado é óbvio. Filas que não andam. Pessoas que não conseguem entrar.

E aí entra o último componente, o despreparo dos agentes de segurança. Para que se preparar, estudar para melhor organizar o evento se você tem o cassetete e o spray de pimenta à mão? E não me venham falar em discriminação: homens, mulheres e crianças de todas as idades tem a chance de sentir seus olhos ardendo, junto com a paixão pelo futebol que arde em seu coração.

Paixão essa que é testada a cada ida ao estádio, em conjunto com a paciência, necessária para aguentar o chá de cadeira que a Supervia dá aos passageiros para que as composições saiam.

Não sou engenheiro de transporte. Não sou técnico da área de organização de eventos. Mas sou torcedor. Sou aquele que deveria sair satisfeito do estádio. Aquele que deveria ver que as coisas estão melhorando.

Por que não abrir mais roletas como as que estão estrategicamente posicionadas em frente ao estádio? Mesmo que limitassem ela apenas aos passageiros do ramal Japeri ou Saracuruna!

Por que não construir outra rampa e roletas do outro lado da estação, ajudando inclusive nos clássicos, onde cada uma das entradas poderia atender uma das grandes torcidas.

Por que não criar outra maneira das pessoas atravessarem a linha férrea sem terem que usar a mesma rampa que todos os milhares que vão pegar o trem?

Por que o cidadão não pode ter o mesmo conforto e informação que ele tem acesso quando vai ao teatro ou ao cinema ou a algum show de música?

Muitas perguntas, nenhuma ação e uma certeza: a que o torcedor não é levado a sério.